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GEPS — Grupo de Estudos e Pesquisas Subaquáticas |
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Arqueologia Náutica e Subaquática |
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GEPS entra em processo de Dissolução
O GEPS – Grupo de Estudos e Pesquisas Subaquáticas foi fundado em Março do ano de 2004, após incentivo do nosso grande amigo Filipe Castro, a quem gostaríamos de dirigir um muito obrigado por ter estado na génese da instituição que, até hoje, nos deu tantos e tão bons momentos. Também se deve à tutela da Arqueologia, nomeadamente à subaquática, o então CNANS na pessoa do seu então Director Dr. Francisco Alves, a criação da Associação GEPS, pelo menos no que respeita ao seu modelo formal, porquanto desde logo se indicou que as articulações legais passariam sempre por instituições e nunca por grupos informais de mergulhadores.
Constituída a Associação, buscaram-se parcerias, Coordenação Científica e formação básica. Desta forma, quase duas dezenas de mergulhadores receberam formação pelo então CNANS através do sistema curricular NAS – Nível Introdutório. Posteriormente alguns destes receberam formação no Nível I, outros ainda frequentaram o curso de introdução à arqueologia náutica e subaquática, ministrado pela UAL em Lisboa. A Direcção Científica veio pela mãos do Professor Doutor Vasco Mantas da Universidade de Coimbra, esta que dura até hoje e pela qual fazemos absoluta questão de agradecer, pela paciência e apoio incondicionais com que sempre nos brindou. Sublinho ainda com a devida vénia, que muito nos honrou a todos puder contar com tão importante colaboração e coordenação.
Faltava o terreno das operações e este foi definido tendo por base dois factores distintos: O Sítio de Vale de Frades na Lourinhã foi-nos indicado pelo então CNANS como sendo um projecto que gostariam ver desenvolvido; Peniche não foi alheio ao facto do GEPS estar aí sediado e este facto não é alheio à origem da esmagadora maioria dos fundadores do GEPS. Basicamente, julgámos ser possível e desejável, dar o nosso contributo voluntário para a historiografia e cultura da terra que nos viu nascer e crescer.
Desta forma, a celebração de Protocolos de Colaboração era inevitável e óbvia, pelo que foram então celebrados com o IPA/CNANS; Universidade de Coimbra e Câmaras Municipais da Lourinhã e de Peniche.
Associação fundada, Direcção Científica assegurada, Protocolos estabelecidos e os programas de Actividades multiplicavam actividades no terreno, ano após ano. Este cenário fazia-nos acreditar que o nosso contributo era necessário e estava a ser apreciado, e isso motivava mais e mais trabalho, mais e mais actividades. Das campanhas no terreno, passando por comunicações em importantes Congressos, publicações de artigos vários. Inclusivamente, ministrámos formação em iniciação à arqueologia subaquática e fotografia digital de artefactos em estúdio. Tudo levava a crer que o nosso futuro seria de longevidade e de sucesso. A base voluntária facilitava em grande medida os problemas por vezes associados a estas questões e à visibilidade e notoriedade.
No entanto, com início no ano de 2007, este cenário optimista sofreu uma viragem que, entendemos assim, apenas pode ter uma leitura e um desfecho:
A Tutela deixa de responder aos nossos Relatórios de Actividades e não responde aos insistentes pedidos de reuniões para debate e articulação de actividades. A Tutela modifica a sua prática relacional com o GEPS e exige autorizações formais. No entanto, indefere inclusivamente os trabalhos em Peniche, verificando-se a insólita situação em que a DANS indefere autorizações dadas pelo IGESPAR, antes e depois destas. A Tutela leva muitos meses a responder a relatórios de trabalhos arqueológicos, alguns deles até hoje sem resposta e defere pedidos de autorização a três meses do termo do ano para o qual o pedido tinha sido efectuado, inviabilizando naturalmente qualquer actividade.
Para cúmulo, os destinatários do nosso trabalho voluntário: As Câmaras Municipais de Peniche e da Lourinhã, ou deixam de viabilizar os trabalhos no terreno, quer pela ausência de apoios logísticos básicos, quer pela total inércia no tratamento dos mais elementares assuntos burocráticos e legais como pedidos de PNTA, ou reduzem o seu relacionamento institucional com o GEPS a um nível não coincidente com uma parceria, diminuindo paulatinamente a inclusão do GEPS como entidade parceira nos mais relevantes acontecimentos dedicados ao mar, quase até à sua total exclusão. Este cenário catastrófico ditou que não realizasse-mos qualquer actividade científica durante o ano de 2008, o mesmo acontecendo certamente neste ano de 2009, a ver pelos primeiros 6 meses e à manutenção da ausência de enquadramento legal.
Face ao atrás exposto, foi entendimento da Assembleia Geral Extraordinária que decorreu em Lisboa no passado dia 6 de Junho de 2009, com apenas uma abstenção e os restantes votos a favor, que continuar, nestas condições, a acreditar que o nosso trabalho era necessário e desejado, demonstrava teimosia e arrogância, tendo-se decidido pela dissolução do GEPS – Grupo de Estudos e Pesquisas Subaquáticas.
Jorge Russo Presidente |